

Sofrimento que afecta a região da sínfese púbica e
inserções tendinosas vizinhas.
FREQUÊNCIA - é claramente superior nos homens em
relação às mulheres, é muito habitual nos praticantes de futebol.
Embora o número de mulheres que se dedica à prática de
futebol seja consideravelmente menor, as diferenças anatómicas do canal inguinal e as
menores exigências no treino, além da melhor adaptação da bacia feminina à violência
biomecânica são a principal justificação.
Não é exclusiva dos futebolistas : aparece também nos
praticantes de ragueby, ténis, esgrima , andebol e outros.

Básicamente são três as estruturas interessadas
directamente no
sindrome
pubálgico : a sinfese púbica, os musculos aductores da coxa e o complexo
do canal inguinal. Em conjunto com os gestos técnicos repetitivos, actuam
uma série de factores
intrinsecos e extrinsecos que potenciam a sua acção nefasta sobre a bacia.
Poderemos assim considerar dois grandes grupos de factores favorecedores.

Os que se inserem superiormente na sinfise púbica são:
Os grandes rectos, os musculos transversos e os grandes obliquos.
Os que se inserem inferiormente são:
O grupo de aductores da coxa, o aductor médio o
aductor menor o recto interno e o pectineo.

No grupo dos factores intrinsecos, que estão relacionados
com o próprio atleta (morfótipo), normalmente são atletas brevilineos , jovens, com
hipertrofia muscular, com encurtamento e menor flexibilidade dos músculos dos membros
inferiores, particularmente dos aductores, em contraste com uma musculatura abdominal
significativamente insuficiente. Podemos encontrar situações que vão exigir grandes
esforços da sinfise púbica, agravadas pelos gestos repetitivos a que a prática
desportiva obriga. Assim devemos procurar causas de agravamento como sejam :
Anomalia congénitas ou adquiridas da parede abdominal
sobretudo nas suas localizações mais inferiores, tal como anomalias do canal inguinal.
Hérnias congénitas ou adquiridas, nalguns casos devido ao
estiramento das estruturas anatómicas do canal inguinal, efeito provocado por forças de
tração num ponto de menor resistência e originando verdadeiros estados
pré-herniários.
As dismetrias dos membros inferiores,que são desigualdades
no comprimento e são situações muito frequentes embora inaparentes, geram instabilidade
pélvica e levam a perturbações estáticas e dinâmicas daqueles.

Os factores extrinsecos, estão directamente relacionados
com a prática desportiva, e dependem de uma série de factores tais como :
Factores ecologicos realtivos à qualidade dos solos e
calçado usado (pisos duros e uso de calçado com pouca absorção de choques).
Tipo de desporto praticado que pode ser mais ou menos
agressivo para a região púbica (futebol, esgrima, ténis, rugby).
Excessos quantitativos.
Erros na coordenação e progressão do treino.

Sendo a pubalgia uma lesão tão incapacitante, devemos
preveni-la e para isso é necessário uma estreita colaboração entre o ATLETA o
TREINADOR o MÉDICO o FISIOTERAPEUTA.
A sua prevenção passa por um treino
programado e progressivo e devem ser prevenidos e tratados todos os factores
predisponentes.
A musculação abdominal cuidada e os alongamentos dos
aductores e dos ísquio-tibiais, devem ser feitos em todos os treinos.Pretende-se assim
que o atleta tenha um adequado equilibrio dinâmico da bacia.
Algumas normas terapeuticas :
- Quando perante uma pubalgia o atleta deverá ter um
repouso desportivo completo e suficientemente prolongado ( entre 40 a 90 dias ) para que a
cura de qualquer elemento tendino aponevrótico atingido seja total.
- Os anti-inflamatórios devem ser administrados
preferencialmente os não esteroides em doses moderadas e decrescentes durante 20 a 25
dias, para que sejam eficazes ao nivel das estruturas tendino-aponevróticas lesadas.
- O fortalecimento e a tonificação muscular deve ser
feita antes do incio dos treinos.
- O retorno à actividade desportiva deve ser progressivo e
programado.

A cirúrgia está reservada, para os casos decorrentes de sofrimento das
estruturas tendino-aponevrótivas, desde que não haja evolução favorável
após três meses de tratamento médico, bem instituído
e desenvolvido.
O tratamento cirúrgico, tem indicação formal e logo desde o início,
para os casos em que a pubalgia decorre de anomalias do canal inguinal.
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