O Golfe tem vindo a ganhar nos últimos 10 anos em Portugal, número crescente de praticantes em quase todos os grupos etários e até sociais.
A generalidade deles crê-se que adquirem o “ gesto desportivo “, com instrutores qualificados, o que é facto determinante para a sua correcta execução. O contrario é sempre fonte acrescida de sinistralidade e morbilidade.
O desenvolvimento do “ gesto desportivo “ fundamental, Swing, necessita de pratica muito regular, já que nele há um envolvimento de todo o corpo - “dos pés à cabeça”.
Alterações na amplitude articular da coluna vertebral, dos ombros, ancas, joelhos e tornozelos, bem como perdas de flexibilidade e extensibilidade musculo-tendinosa, comprometem o correcto e efectivo swing.
A maior parte dos praticantes de golfe de ambos os sexos, enquadra-se nos grupos etários com mais de 35 anos. Social e profissionalmente, há relativo desvio para o sedentarismo.
Estes dois aspectos, são determinantes no aparecimento da patologia dos praticantes de golfe, em particular na que se designa por “de Sobrecarga” ou “ de Stress”.
Abordaremos as lesões com origem na pratica do golfe, por ordem decrescente da sua frequência e da limitação funcional e desportiva que motivam.
A execução de inúmeros e repetitivos batimentos, em particular no driving range, pode motivar no ombro e em especial no compartimento sub-acromial, um processo traumático/inflamatório, quer na bolsa serosa ai existente, quer na coifa dos rotadores. A evolução natural desta patologia, deteriora ambas as estruturas e clinicamente enquadra-se no que se designa por “ombro doloroso”.
O seu diagnostico é fácil e acessível, mas deve ser efectuado muito precocemente, de modo a minimizar a gravíssima morbilidade.
A instabilidade gleno-umeral anterior, apesar de não ser frequente no golfista, é uma entidade clinica e funcional a ter em conta no diagnóstico diferencial.
A retoma de actividade após a efectivação de protocolo terapêutico, deve ser sempre orientada pelo ortopedista.
O movimento rotacional a que a coluna lombar é sujeita, durante todo o swing, bem como a extensão máxima na sua fase final, para além de solicitarem as massas musculares para-vertebrais, dependem da normal mobilidade nas articulações inter-apofisárias e da normal troficidade dos discos intersomáticos.
A solicitação repetitiva destas estruturas, em praticantes com alguma obesidade, com flacidez da parede abdominal e com doença da cartilagem inerente à idade ( artrose ), motiva com frequência o aparecimento de sintomatologia dolorosa, de maior ou menor intensidade, centrada á região lombar baixa e associando-se quase sempre a rigidez lombar, por contratura muscular, uni ou bilateral.
Com alguma não rara frequência, o quadro álgico descrito pode surgir de modo brusco e altamente agressivo, na dependência de um compromisso morfológico prévio, como no caso da espinha bífida oculta de L5 ou S1, ou também da espondilolistesis / espondilolise a esse mesmo nível ou no de L4 / L5.
Embora excepcional, a herniação de um disco intersomático ( hérnia discal ) pode desencadear-se durante o swing.
Qualquer destes quadros, tem necessidade de ser sempre e desde o inicio, orientado por ortopedista com interesse e experiência particular nesta área.
No pescoço, o desenvolvimento brusco da rotação e da extensão máxima, na fase final do swing, pode também motivar o aparecimento de crises semelhantes ao que se descreve para a região lombar, em particular se o praticante não tiver efectuado protocolo de “aquecimento” prévio.
A fractura ( esta não é uma fractura idêntica á traumática ) de stress na costela, resulta da actuação de forças de torção, de forma repetitiva no osso e desenvolvidas durante a expiração ( toráxica ), pelos músculos, serrado anterior e obliquo externo.
As costelas mais frequentemente envolvidas, vão deste a quarta, até à nona. A localização frequente da fractura, é no terço médio da costela.
Os golfistas com maior risco de desenvolvimento deste tipo de fractura, são precisamente os que apresentam técnica pobre do swing .
O diagnóstico ( a dor discreta no repouso, exacerbada na inspiração e na inspiração durante o swing, é o sintoma predominante ) na fase inicial, nem sempre é fácil e acessível de fazer. Neste período só a cintigrafia óssea com Tc 99m, o possibilita.
O tratamento deste tipo de fractura, fundamenta-se na paragem desportiva e na melhoria do swing.
A patologia com maior incidência no joelho do golfista, centra-se a nível da articulação femuro-rotuliana. Na fase inicial do swing num joelho e na fase final no outro, é nesta interface que se desenvolvem as maiores sobrecargas para a cartilagem. Nos jogadores dextros o joelho direito e nos sinistros o joelho esquerdo, mesmo com discreta instabilidade rotuliana, frequentemente apresentam nesta articulação, graus variados de doença da cartilagem .
Depois dos 45 anos, não é infrequente associar-se à doença da cartilagem, um compromisso degenerativo dos meniscos, em particular no interno ( e vice versa ). A rotura meniscal é pois uma patologia que neste caso, se pode estabelecer, tanto de modo progressivo por surtos no tempo, como de modo abrupto, com um episódio único a bloquear a extensão completa do joelho.
Depois dos 45 / 50 anos, um praticante que treinar ou jogar semanalmente com regularidade, deverá por prudência, efectuar uma vez por ano, uma avaliação clinica e imagiológica dos seus joelhos, independentemente do desenvolvimento regular de procedimentos ou de terapêutica de condroprotecção, que tenha por habito efectuar.
Os sesamóides são duas pequenas formações ósseas achatadas, que se situam sob a extremidade cefálica de cada um dos primeiros metatársicos e têm por função a sua estabilização, em relação ao resto do pé.
A repetitiva sobrecarga nos sesamóides do golfista e que origina a fractura, dá-se durante a transferência do peso para o raio interno do pé, na fase final do swing. É por isso que o sesamóide interno é o mais envolvido.
A sintomatologia álgica desencadeada por este tipo de fractura, com frequência arrasta-se no tempo, pois é confundida quase sempre com a dor resultante das calosidades, que se apresentam frequentemente em associação nesta zona do pé.
O diagnóstico é relativamente fácil, mas nem sempre acessível .
O tratamento põe com frequência sérias dificuldades.
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