

A utilização de aparelhos externos em
desportistas foi olhada durante muito tempo com grande cepticismo, pois a
"doença" provocada pelo seu uso diminuía o rendimento físico e psíquico do
atleta; só depois de maior estudo, mais experiência, melhores materiais, melhor
conhecimento das exigências específicas de cada modalidade e da importância da
reabilitação funcional precoce, o uso de ortóteses se generalizou mesmo aos não
desportistas.

O termo ortótese, etimológicamente
provém do grego "orthos" que significa direito e representa um aparelho que
auxilia ou facilita uma função; não é isento de riscos (pode mesmo revelar lesões) e
para o seu uso é necessária vigilância médica adequada com trabalho conjunto entre
atleta/médico/fisioterapeuta/treinador, ponderação entre as vantagens e as desvantagens
e aceitabolidade por parte de quem a vai usar - o atleta.

Existem vários tipos de ortóteses com
classificações várias; desde a classificação anatómica que as classifica em
ortóteses do tronco, do membro superior e do membro inferior; a classificação funcional
que as classifica em ortóteses de suporte, de protecção e de correcção; a
classificação segundo o mecanismo de acção que as classifica em ortóteses
compressivas, ortóteses de controlo do movimento (quer activo, quer passivo) e ortóteses
de apoio e descarga plantar; até à associação americana dos ortopedistas que
classifica as ortóteses em ortóteses de prevenção, de reabilitação e ortóteses
funcionais.

São hoje inúmeros os materiais usados na sua confecção, que
no seu conjunto possuem determinadas características (não traumatizantes, peso mínimo,
resistência, flexibilidade) que permitem o seu uso sem grandes inconvenientes
(revelação de lesão, diminuição do rendimento desportivo, desvalorização do
atleta); desde o aço, alumínio, madeira, plástico, tecido, couro, cortiça, até
borracha, neoprene, carbono, silicone, etc..

São muitas mas as mais procuradas no
desporto são a protecção, a estabilização, a descarga de peso e a condução ou
limitação de forças e movimentos.

No membro superior ajudam a aproximar ou
afastar o corpo do aparelho desportivo, ajudam na aceleração na travagem e no
equilíbrio; no membro inferior ajudam na condução do movimento e também na
aceleração, na estabilização e no equilíbrio; no tronco ajudam na fixação, na
reposição e na distracção. No membro superior: são frequentemente usadas em lesões
de sobrecarga e em lesões agudas articulares e peri-articulares; ombro - nas luxações e
instabilidades são usadas no pós-operatório e no regresso à competição com a
finalidade de fixação e controle dos movimentos, bem como para limuitação das
mobilidades, protecção e "travão psicológico"; punho e dedos - nas lesões
tendinosas e ligamentares (distensões, rupturas e inflamações) são usadas quer no
pós-operatório (fixação/conservação dos resultados, coordenação e fortalecimento
muscular), quer nas instabilidades crónicas (prevenção de excessos, absorção de
energia e limitação da mobilidade).

São usadas principalmente em lesões cápsulo-ligamentares e de
sobrecarga; joelho - nas lesões dos ligamentos cruzados e das estruturas peri-
articulares quer no pós-operatório (limitação e condução do movimento e
estabilização), no regresso ao treino ou competição (limitação e condução do
movimento e apoio) ou no tratamento ortopédico das grandes instabilidades. tornozelo -
nas distensões, entorses e rupturas são usadas como tratamento ortopédico (evitar a
prono-supinação e limitar ou guiar a flexão e a extensão) ou no pós-operatório
(controlar, guiar e limitar os movimentos, e ainda evitar a prono-supinação) pé - nas
exostoses, lesões tendinosas, necrose por pressão e para corrigir posições
incorrectas, sobrecargas ou o uso de calçado inadequado, são cada vez mais usadas certas
palmilhas que permitem uma correcta distribuição de energia, um equilíbrio do pé em
carga e uma descarga de pressão quer do calcanhar quer da planta.

Trata-se de aparelhos de uso externo cujo
objectivo principal é a influência externa do aparelho locomotor prejudicado
(principalmente as estruturas articulares e as partes moles) oferecendo protecção,
estabilização e descarga de peso; podendo ser usados quer nas fases de reabilitação,
de treino e de competição, quer mesmo na vida quotidiana.
©1997 Olympica Internacional
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