MOSAICOPLASTIA

 

Auto-transplante de cartilagem

        
Em variados gradientes de evolução, a “ Doença da Cartilagem “ ( artrose ) afecta os joelhos de uma grande parte da população depois dos 45 anos.
Pode no entanto apresentar-se em qualquer idade, em particular em jovens operários, que ao desenvolverem a sua actividade laboral, submetem os seus joelhos, a enormes sobrecargas e especialmente a traumatismos de elevada violência .

 Numa articulação normal, as extremidades dos ossos que a compõem são cobertas por um tecido elástico esbranquiçado, a cartilagem, que permite o deslizamento suave dos ossos e actua como uma almofada que absorve o impacto dos mesmos, durante a carga e o movimento.

Num joelho a espessura da cartilagem pode atingir alguns milímetros, consoante a sua localização. Na rótula pode atingir os 8 mm.

A cartilagem é um património articular único. A sua deterioração não tem alternativa para um processo de reparação idêntica á original.

Na Doença da Cartilagem, começa por ocorrer uma deterioração deste tecido, que perde a sua regularidade e elasticidade, em variados gradientes ( estádios de doença ).

Estes estádios de compromisso da integridade da cartilagem, apresentam-se como alterações que vão desde o simples amolecimento, passando pela fissuração e fibrilação, até ao descolamento completo do osso subjacente, com desenvolvimento de verdadeiras crateras de dimensões variáveis, com por vezes alguns centímetros de superfície.
           
Há também alterações da integridade da cartilagem, decorrentes de traumatismos directos ou indirectos, com verdadeiras fracturas do tecido, evidenciadas por mais ou menos profundas e extensas soluções de continuidade ( fracturas condrais ).

Como não dispomos de tratamento médico consistente e definitivo para a Doença da Cartilagem, a evolução natural desta leva à deterioração progressiva das superfícies de deslizamento da articulação, indispensáveis para o desenvolvimento do movimento e consequentemente para a função articular.

No tratamento cirúrgico das lesões iniciais de Doença da Cartilagem ( fissuração e fibrilação ), mesmo com envolvimento de áreas expressivas da superfície articular, a realização da técnica designada por, condroplastia com shaver sob controlo artroscópico e em ambiente de cirurgia de dia, é sem dúvida o avanço cirúrgico e a solução mais notável e adequada do século XX  e com resultados clínicos e funcionais, francamente favoráveis á distancia.

No entanto para as lesões focais ( crateras ), bem delimitadas e pouco extensas, desenvolvemos desde há dez anos, uma técnica cirúrgica de reparação, designada por “ mosaicoplastia “ e que consiste muito simplesmente no preenchimento, dessas áreas desprovidas de cartilagem ou com cartilagem francamente deteriorada, por transplante de cartilagem  “ saudável “  colhida em áreas da mesma articulação, mas não envolvidas no contacto articular estrito ou com submissão de carga.

Esta técnica cirúrgica requer muita precisão, não só na recolha da cartilagem a transplantar, de modo a não haver lesão da mesma, mas também na sua implantação, pois que a sua viabilidade pode ser comprometida.

Este desiderato é bem conseguido graças a um instrumental cirúrgico muito delicado e bastante preciso, utilizado nos serviços do Genocum.

A  “ mosaicoplastia “ ao possibilitar a “ pavimentação “, tal como numa “ calçada de passeio á portuguesa “, de uma cratera articular, permite que se crie ao fim de algumas semanas uma nova superfície de cobertura, constituída por cartilagem e fibrocartilagem de aceitáveis qualidades plásticas e de efectividade duradoura .

Importa finalmente salientar que esta técnica, apesar de possibilitar a resolução de muitas situações clinicas, é muito electiva pois que para a sua utilização, cada caso clinico requer ser enquadrado em rigoroso protocolo pré-operatório de decisão terapêutica. No estado actual da sua prática, apenas se utiliza em individuos em principio, com menos de 50 anos .

 

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Última alteração a 02-03-17
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